quarta-feira, 22 de novembro de 2017

TRABALHANDO COM O MEDO INFANTIL




Senhores Pais, é natural e absolutamente normal que suas crianças pequenas sintam medo. Bem como, o nervosismo é um sentimento natural que ajuda a todos nós a lidar melhor com as novas experiências e dessa forma, nos ajuda a nos proteger do perigo.

Os medos das crianças pequenas, geralmente são bem específicos, como por exemplo, barulhos, insetos, escuridão, de ficar sozinhas entre outros. Outras crianças podem também sentir medo de situações novas ou de pessoas novas. Logicamente, esses medos vão desaparecendo na medida em que as crianças vão crescendo e ganhando mais idade e mais confiança nos seus atos, confiança essa, adquirida através das pessoas que a rodeiam e do ambiente em que a criança esteja inserida.

Portanto, é natural, que os medos irão desaparecendo aos poucos e esse tempo, pode variar de semanas, meses ou anos. Até que isso aconteça, é normal que a criança fique lembrando e repetindo sobre a situação ou objeto que a atemoriza. Isso poderá ser demonstrado através das brincadeiras, desenhos, atividades e até mesmo nas conversas que ela tenha. Fazendo isso, ele está encontrando uma saída para lidar com a questão, no caso o seu medo.

Na prática, como lidar melhor com tudo isso? Primeiramente jamais despreze o medo que sua criança sente. Neste sentido, desprezar é fazer pouco caso, fazer piada, dizer que não há nada de errado ou assustá-la mais ainda com a mesma situação, não ajuda em nada a criança. Conversar, dizer que está junto e passar a situação com a criança, tem muito mais efeito positivo do que se pensa. Depois, conversar sobre o medo ou a situação ocorrida, também terá um impacto na sua formação, extremamente positivo.

Outra dica importante para ser usada, é resolver o medo com o seu filho e não por ele. Muitos pais resolvem a situação pelos filhos e assim, eles sempre recorrem aos pais para corrigirem os seus medos. O choro muitas vezes, é um sinal de pânico para os pais, fazendo com que algumas decisões sejam tomadas de forma automática. Resolvendo a situação que lhes causam medo junto com suas crianças, fazem com que elas descubram uma maneira de solucionar seus medos com mais controle e auto estima sobre aquilo que lhes assustam. Vale lembrar, que na maioria das situações que seus filhos irão enfrentar, você poderá não estar presente.

Senhores Pais, cuidado para não passar para os seus filhos os seus próprios medos. Quando isso não for possível, explique que mesmo tendo medo foi necessário ser feito determinada ação e o bem que isso causa. O que não é saudável, é o filho se espelhar em determinado comportamento dos seus pais, pautado em medo e pânico. Faça para ele ver, deixe você ser a “cobaia” em algumas situações e isso causará mais conforto e mais segurança ao seu filho. Se meus pais podem, com certeza eu também posso.

E por fim, não exagere na proteção ao seu filho, na tentativa de que ele não vivencie nenhuma situação que lhe cause medo. É comum, que uma das primeiras soluções quando o medo aparece é evitar a exposição da criança, escondendo-a ou disfarçando a realidade. É a realidade que fará você conhecer seu filho melhor, o seu comportamento e os seus medos. Isso também fará com ele aprenda a se defender melhor. A criança irá andar melhor e até correr, na medida em que tentou fazer isso e isso lhe rendeu por certo, algumas quedas e alguns arranhões. Evitar isso, é atrasar o seu caminhar e o seu correr do seu filho.

Por outro lado, sempre fique atento ao que seu filho está sendo exposto diariamente, pois esses estímulos podem causar-lhes medos exagerados e infundados. O acompanhamento dos pais sobre seus filhos, podem ajudar em muito no seu desenvolvimento, além de evitar muitas práticas nocivas ao seu crescimento.

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

sábado, 23 de setembro de 2017

A IMPORTÂNCIA DA AUTOCONFIANÇA PARA A CRIANÇA






Tarefa comum para os pais, é a preocupação com a autoestima de seus filhos. E é sem dúvida uma questão que de fato requer atenção. 

A autoestima está ligada com a auto confiança da criança que por sua vez, está ligada a timidez, quase sempre comum em suas atitudes. Autoconfiança é o ingrediente base em todos os aspectos do desenvolvimento saudável da criança. Ela interfere em seu êxito escolar, em seus relacionamento com outras crianças e é também ponto de corte para que ela encare forma equilibrada os desafios do viver em sociedade: partilhar, doar, alteridade, competir, fazer amigos e lidar com frustrações.

Para ajudar o seu filho nesse processo, o primeiro passo decisivo, é os pais serem o modelo a ser seguido pela criança. Lembre-se que as crianças sempre aprendem observando o modelo praticado pelos adultos que o rodeiam. Atitudes adultas, que não ensinem as crianças a lidarem com raiva, frustração, sofrimento, resiliência entre outros, devem ser evitadas diante delas. Não ajudam em nada na formação de uma criança autoconfiante. O referencial de valores, deve ser primeiramente os pais, ou aqueles que o educam em sua primeira formação. Dalí, partirá uma criança com base emocional estabelecida para um vida inteira, que poderá ser bem ou mal construída.

Em segundo momento, crie oportunidades e facilite maneiras para seu filho brincar. A melhor terapia para uma criança ainda é o brincar. No brincar a criança desenvolve a alteridade, a criatividade, aprende a experimentar novos papéis e principalmente a elaborar sentimentos mais complicados na sua formação psicológica. É brincando que a criança tem a rica oportunidade de falar de forma séria com os adultos que estão à sua volta. A felicidade que uma criança demonstra quando brinca, está mais ligado ao brincar, do que ao brinquedo. Na brincadeira a criança aprende a ser, em detrimento do ter.

Sempre estimule seu filho a realizar tarefas que ele ainda está se esforçando para realizar. Isso inclui desde as palavras que precisam ser ensinadas a pequenas atividades, que por uma série de cuidados, os pais acabam fazendo pelos seus filhos. Fazer uma tarefa em partes é mais rico do que não fazer parte alguma de uma tarefa. A construção da autoconfiança passa pela realização de pequenas tarefas, que merecem a cada conquista, elogio e reconhecimento.  

E por fim, estabeleça rotinas para seu filho. É dentro de casa, que deve ser o local primeiro para que a criança internalize os cuidados, deveres e consequências de seus atos. A rotina deve ser estabelecida para que ela sinta-se mais segura e mais confiante. É preciso que a criança tenha hora para se alimentar, dormir, estudar, brincar e tomar banho. Pequenas atitudes feitas de forma organizada, trará consequências valorosas aquilo que se quer ensinar para a criança. Dessa forma, a criança trabalha a sua responsabilidade e mais na frente, a capacidade de trabalhar com os imprevistos que serão inevitáveis.

Na fase adulta, é a autoestima que nos imuniza e a autoconfiança que nos encoraja. Quando adulto, é a autoconfiança que nos dá a certeza que vamos alcançar nossas metas e realizar nossos projetos, fazendo com que não desistamos deles. É quando adultos também, que a autoestima faz com que tenhamos consciência do nosso valor e das necessidades de mudanças que precisamos fazer. Esses dois ingredientes sempre nos faz bem.


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O MINISTÉRIO DA FAMÍLIA ADVERTE: AVÓS SÃO FUNDAMENTAIS A NETO


Os avós são exemplos de afeto e generosidade, em sua maioria. Possuem a árdua missão de burlar a educação dos netos e nisso eles tem diploma de doutorado. Eles já exerceram o papel de pais educando seus filhos, e por isso agora, é a hora de desfrutar ensinando, sem a necessidade de impor a sua autoridade ou de cumprir o papel tutorial. Eles podem tudo, sem dever nada a ninguém. Eles estão juntos para compartilhar momentos inesquecíveis com seus netos e assim, construir com eles, um breve tempo que ainda lhe resta. A figura dos avós ganha autoridade somente pelo decreto do amor e, muitas vezes, a bondade nas palavras de um avô consegue abrandar e convencer os ouvidos dos netos. 

Os avós podem tudo e são completos em risadas, histórias, guloseimas, segredos, simpatia e amor. Mas principalmente, os avós têm carinho em quantidades industriais para distribuir a todos. Eles são sinônimo de uma união de gerações: filhos, netos e bisnetos em sua volta, como quem cumprindo o papel vitorioso de ter chegado até ali. Os avós possuem a capacidade única de se materializarem em presentes, doces, permissões e um consentimento desmedido que sempre fazem esgotar a paciência dos pais.

Já notaram que os avós possuem um cheiro característico? As cores, os sabores, os risos e suas linguagens envolvem magia e são com eles que compartilhamos as nossas tradições e cultura. Como raízes, eles permanecem firmes vendo seus galhos crescerem com flores e frutos. Nem todos irão crescer, como sonharam, mas todos irão crescer e tudo isso com muito carinho e dedicação. O perdão dos avós tem o peso maior, porque eles sabem perfeitamente como foram seus pais e sendo assim, entendem que nada possui o poder transformador maior que o amor.

Estranham-se muito com a frenética vida dos dias atuais e lamentam a substituição de hábitos e valores com os quais foram educados. Seus cabelos brancos traduzem um tempo, onde as pessoas construíam relações diferentes e com isso eram diferentes. Sentem-se, às vezes, “perdidos” com as tecnologias e não raro condenam os comportamentos aos quais a sociedade contemporânea se sujeita. 

Possuem ainda a leve sensação de não verem realizado em seus netos, todos os planos que sonharam. Seus sonhos agora, se traduzem em saúde, força e equilíbrio para ficar de pé. Acreditam que a vida passou depressa demais e metade do queriam ver, não viram. Grande parte do que torceram para acontecer, não aconteceu. Contudo, trazem a certeza que o legado que construíram é maior do que a sua própria história.

Você tem avós por perto? Corre lá. Dá um abraço. Deixa eles saberem que ali do lado, tem alguém que os ama e que valoriza a sabedoria que o tempo lhes presenteou. Escute. Sorria. Eles não precisam de muito e querem apenas você perto deles. Eles têm a certeza de que tem mais passado do que futuro e por isso mesmo querem aproveitar o tempo que lhes resta. Aproveite. Logo, você sentirá falta.


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

domingo, 11 de junho de 2017

A VIOLÊNCIA E O MMA




Qualquer MMA é horroroso na minha opinião, seja ele masculino ou feminino. Proibiram a rinha de galos e liberaram a rinha de humanos. Ver dois homens ou duas mulheres se quebrando, sangue no chão, rostos inchados e com cicatriz e sentir prazer nisso é no mínimo um desvio de personalidade. É o masoquismo/sadismo diário necessário para a realização de alguns instintos. Chamar essa prática de esporte me parece mais um incentivo a violência. Quais são os benefícios sociais da prática do MMA? O financeiro nós já sabemos.

A propagação de esportes de contato como o boxe e o MMA pode aumentar os casos de mal de Parkinson. Especialistas afirmam que há uma relação entre o impacto repetitivo de chutes e socos na cabeça com o fato de doenças neurodegenerativas - como mal de Alzheimer, demência do pugilista e mal de Parkinson - serem mais recorrentes e surgirem mais precocemente entre lutadores.

Sabemos que os praticantes são adultos e logicamente assumem todo o risco possível quando o praticam. Também não podemos negar que há – poucos – mas há, benefícios sociais. Existem projetos sociais que foram criados a partir de sua prática e estes projetos ainda que de forma pequena, tiram crianças e adolescentes das ruas e das drogas.  

Porém, é fato que o seu incentivo à violência existe e de forma muito forte. O MMA, por ser uma luta em que os contendores usam de diversas técnicas e golpes, é polêmico. Quem participa dessa modalidade, como lutador ou até como professor, vê benefícios na sua prática. Mas quem lida com o corpo humano, como um médico, vê o MMA como um malefício à saúde.

Não se pode negar que violência neste esporte se manifesta, se produz e se reproduz a partir de razões que muitas vezes não são levadas em conta, quando se olha apenas o lado entretenimento desta prática. A violência, é um fenômeno que está tanto no esporte quanto fora dele, mas caberia ao esporte não incentivá-la ou reproduzi-la. A violência no esporte é violência como em qualquer outro ambiente: no ambiente doméstico, na escola, no meio urbano. É violência, e deve ser entendida e combatida como tal.

Assim, devemos pensar que nessa espécie de “jogo” que se forma, é preciso pensar sobre esporte e violência, e nunca confundir que uma coisa não pode estar associada a outra. Não podemos entender, que assistir uma luta de MMA seja apenas um programa que se controla apenas por um controle remoto. A violência é mais complexa do que pensamos e seus efeitos podem ser mais desastrosos do que imaginemos. 


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quarta-feira, 1 de março de 2017

BEM-VINDO MARÇO



De março de 2016 para cá, tanto se chorou, tanto se nasceu; muitos morreram, outros partiram, centenas sumiram, alguns se mataram. Há os que se casaram; há os que quiseram se separar. Uns chegaram em nossas vidas, outros se foram. Adoecemos, perdemos, ganhamos, choramos e sorrimos muito. Viajamos, ficamos inertes, ensandecidos, descobrimos, mentimos, escondemos, julgamos e até falamos a verdade. Mudamos embora sem querer. 

De lá para cá, muita água passou debaixo da ponte. Muita água parou. Muito mosquito se fez. Muito mosquito matou. Ficamos mais velhos. Bobo também. Foi muito ruim ver algumas pessoas dependendo de nós, mas pior ainda foi nos vermos dependendo de algumas pessoas. Dizem que é em ti que as chuvas se despedem. 

Nos teus dias comemora-se o dia do circo, da água, da saúde, da nutrição, dos animais, da escola, da juventude e o da terra. Nos teus dias há mais poesia, há mais flores... Teu nome já foi cantado e contado em prosas e versos. Dos teus dias deram às mulheres apenas um, mas sabemos que todos os dias são delas. A quaresma esse ano começa contigo. 

Sabe março, você terá 31 dias, para que as tuas águas levem para longe as dores, tristezas, mágoas, incertezas, medos, dissabores e solidão. Que suas águas Março, traga a fartura da colheita, das flores, do fruto, da semente e dos grãos. Que teus dias nos faça repensar a paz, o amor e a união dos povos. Que as tuas horas sejam de reflexão e de muitas descobertas. Até março de 2018, pouco, muito pouco será diferente e ainda iremos chorar pelos mesmos motivos de hoje.


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

A CRISE DA MEIA IDADE ME ASSUSTA


Envelhecer é inevitável e para a grande maioria das pessoas esse fato é doloroso. Porém numa sociedade que cultua a juventude, isso se torna pior. A sociedade atual usa todos os recursos possíveis para driblar a idade, os anos, as rugas e isso sem dúvida, gera uma enorme crise em algumas pessoas. Um dos fatores mais graves que isso causa é fazer com que olhemos a velhice com certa nulidade. É como se o velho se tornasse uma pessoa inútil, que requer cuidados e que gera trabalhos e dores de cabeça. Na cultura atual é isso que vemos. Na era do descartável, o velho vem perdendo o seu valor.

Tornar-se idoso é antes de tudo uma dádiva. Quem chega nesta fase, é sem dúvida um privilegiado. Mas envelhecer exige dignidade. Porém, antes de chegar a velhice, passamos pela fase que chamamos de Meia Idade e é neste período que entramos em crise, a famosa crise de valores. Nesta fase, o medo acomete tanto homens como mulheres e cada um procura a forma mais leve e menos complicada para viver esta fase. O homem geralmente tenta lidar com seus dilemas de forma individual e a mulher de forma mais coletiva.

Essa crise sempre existiu, mas ela ganhou nome em 1965 pelo médico canadense Elliotti Jaques. Porém foi com a chegada das redes sociais que a evidência desse período de nossas vidas tornou-se mais notório e muitas vezes, constrangedor. Foi o cineasta Woody Allen que disse certa vez, que “A vida é uma doença fatal e sexualmente transmissível,” e essa afirmação nos faz pensar que envelhecer é, portanto, natural e não nos parece saudável lutar contra a inevitável passagem do tempo.

A Gerascofobia é a fobia mais típica da meia idade. Acredite: algumas pessoas tem tanto medo de envelhecer, que sofrem e adoecem com esta possibilidade. Porém quando se é jovem, pouco pensamos que vamos envelhecer e raramente temos medo dessa fase da vida. A juventude é o tempo mais rápido de nossas vidas e, portanto, sempre somos muito imediatistas, rápidos demais. Tudo se resolve na hora e nosso relógio psicológico bate mais acelerado.

É claro que é preciso se cuidar, ingerir alimentos saudáveis, praticar esportes, manter a mente ativa, cultivar o lazer, as amizades e os hábitos que nos fazem bem. Mas não é disso que me refiro. É preocupante o processo maçante de mostrar ao outro que estamos bem, que não estamos envelhecendo, que somos jovens e que o tempo só passou para os outros. Por que temos tanto medo de envelhecer? Será se isso acontece porque, em muitos casos, a velhice está associada a aspectos negativos? Doenças, perda de mobilidade, mudança de aparência e de comportamentos só acontecem na velhice?

Em contrapartida a isso e agravando ainda mais a crise, as empresas de cosméticos, cremes, rejuvenescedores, sucos, comidas, ervas, aromas e uma multidão de milagres que adiam a velhice, crescem e se proliferam. Nas redes sociais, o que se vê é a meia idade gritando que não está mal e que tudo vai bem. É de fato uma perda de identidade onde as pessoas não sabem mais quem são, vivem e se comportam como se daquela idade não fossem. Os quarentões parecem adolescentes e os idosos parecem quarentões. Um simples pronome de tratamento, como Senhor ou Senhora gera uma crise e o dia se perde ali.

Festas e mais festas, noitadas, corpos à mostra, tattuagens, músculos, risos, plásticas, silicones, maquiagens, amigos, qualidade de vida, sexo e juventude, tudo isso postado em redes sociais atesta a dura realidade de que, antes de tudo, não envelhecer é estar bem e em paz consigo mesmo. Atesta que, juventude antes de ser comportamento, é um estado de espírito. Atesta que, não lidar bem com a idade, com as dores e as delicias que ela traz, pode ser um forte indício de crise e crise da meia idade. Lá no fundo, bem escondido com os nossos valores, não podemos perder o compasso do tempo e esse não é nosso inimigo: é nosso aliado.


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

ANTECIPAR SOFRIMENTO PRA QUE?


As expectativas são as que nos consomem a conta gotas, dia após dia. Será se vai dar certo? Será se vou conseguir? Será se o resultado do exame será positivo? Será se irei me arrepender? Será se vou gostar? Isso tudo, vira uma prisão que nos deixa do lado de cá, enquanto a vida vai acontecendo do lado de lá, da forma como deve ser. A vida carrega em si o que há de pior e o que há de melhor. A expectativa, se não for bem trabalhada, apenas nos atrapalha e cria em nós o sofrimento.

É muito difícil chegarmos a amarga verdade de que, às vezes, não somos o protagonista de nossas vidas. Dói saber que alguns acontecimentos irão surgir e que não teremos nenhum controle sobre eles. Muitos deles, são aqueles que sempre evitamos e até deixamos de aproveitar alguns momentos da vida, pela simples possibilidade de não atraí-los. A verdade é que deixamos de viver o hoje, em função de um amanhã, que queremos muito que acontece, mas não sabemos como será.

Mas o que deve ser feito, para não sofrermos em relação aquilo que nem sabemos se vai acontecer? Deixar de focar nas expectativas e voltar-se mais para o presente, talvez seja a melhor saída. Sofrer por antecipação é uma tarefa inútil, sobretudo porque não vamos viver o hoje e os presentes que ele sempre traz. Viver o hoje é a melhor forma de não preocupar-se com o viver de amanhã. Não podemos nos esquecer, que nos prepararmos para o futuro é mais produtivo do que apenas preocuparmos com ele. Não confunda alienação com falta de expectativas e planejamento de vida.

Grande parte de nós, vivemos o hoje de forma imediata (e isso até certo ponto é bom). O perigo é que com isso, vamos nos tornando descartáveis demais. O valor das pessoas e comportamentos se perdem muito facilmente. As pessoas passam a ser coisas e as relações são para o momento, para o agora. Não raro, criamos a expectativa de quem estará conosco na velhice, se estaremos felizes, se seremos solitários ou teremos alguém do lado para viver essa etapa da vida.

O importante mesmo na vida, é buscarmos a felicidade com aquilo que temos e do jeito que somos. Se as expectativas não aconteceram de forma positiva ou se vamos ter que lidar com uma descoberta desagradável, ou se as surpresas foram as piores ou se as conquistas foram as pequenas, ainda é possível ser feliz. Se fizeres uma busca, sua memória vai te levar ao dia em que você alimentou uma grande expectativa e quando ela veio, chegou embrulhada em um papel que não te agradou. O mundo acabou? Você achou um novo significado pra vida e cá está, vivendo-a tão bem.

Lembre-se: se alimentares apenas de expectativas, tua vida para. Se alimentares o teu otimismo, tua vida anda. Liberte-se! Quando passar o tempo, você verá que o que valeu a pena mesmo, não foram as expectativas. Foram os acontecimentos, bons ou ruins.


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, pedagogo, escreve e faz palestras, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO.

TRABALHANDO COM O MEDO INFANTIL

Senhores Pais, é natural e absolutamente normal que suas crianças pequenas sintam medo. Bem como, o nervosismo é um sentimento natura...