sexta-feira, 27 de maio de 2011

AMIZADES VERSUS CONTATOS

Em dias que tanto se precisa de verdadeiras amizades, elas somem cada vez mais. São nesses dias, onde a solidão impera com força maior, é que o sentido verdadeiro da palavra amigo, se torna cada vez mais sem sentido. Os laços que deveriam se fortalecer em dias de carência, são substituídos por contatos. Apenas contato. Ouvir dias atrás, alguém dizer, que não tem muitos amigos, mas tem uma gama enorme de contatos.

Não quero que você pense, que o bom é ter muitos amigos. Não pense que, a quantidade deve sobrepôr à qualidade. Apenas pensemos no que é amizade, sem quantidades, sem números. A amizade por ela mesma, já é um tesouro e convenhamos que um tesouro não se acha em todas as esquinas. Contatos são leves, feitos de esbarrões, favores, cumplicidades e na maioria das vezes são construídos de forma horizontal, ou seja, sem muitas raízes. Os contatos nascem do nada e não raramente sabemos de onde vieram, quem os trouxe ou o que significam pra nós. Significado: Uma palavra que os contatos não sabem muito o que quer dizer. Os contatos valem até certo ponto, servem até certo ponto e até certo ponto nos preenchem. Mas não possuem muito significado. 

A construção de uma amizade, se faz com alguns ingredientes que os contatos não nos oferecem. Contatos são bons? Claro. O sabor é que é o complicado. Quando precisamos de um contato, não podemos contar muito; se nos magoam as marcas são de um profundo maior; se procuram a nós, são com várias intenções; se nos querem do lado, são apenas nos momentos bons  para eles. Numa amizade sincera, muda o contexto; o texto é diferente. Amizade de fato é contruída de forma vertical e por isso, com raízes mais profundas. Amigo, se dispõe a ir, sem mesmo ser chamado. Este, vai contigo na balada sorrindo, mas também estará contigo na dor, se for preciso. Amigo também nos magoam, sem dúvidas, mas há um porque nisso. 

Os contatos são apenas contatos. Amizades não são apenas feitas de contatos. Vejo hoje, as pessoas com muitos contatos. As baladas e as ocasiões festivas estão lotadas de pessoas sorridentes e que curtem um bom contato. Cada vez mais, temos contatos nos meios de comunicação social, e cada vez menos as pessoas ouvem umas as outras, prestam atenção umas nas outras e sentem o que cada um sente. Os contatos geralmente querem somente tomar a champanhe, tirar as fotos e curtir as conveniências. Não me parece ser ingredientes de uma boa amizade. 

Pena que as amizades verdadeiras estejam em extinção. Você consegue enumerar cinco bons amigos? Não aqueles que são coniventes com você, mas aqueles que são amigos sendo eles mesmos. Acredito que com a velocidade do tempo, ele não nos permita criar laços, arregimentar relações e criar afetos. O tempo é tão escasso, que hoje, ficamos ao invés de namorar. Damos um oi ao invés de conversar. Temos contatos ao invés de amizades e por aí vai. A verdade é que os contatos se vão muito depressa. Geralmente duram o tempo do verão, da balada, da onda e da ocasião. Talvez seja por isso, que as pessoas andam solitárias, vazias, reclamando da solidão, do tédio e do "sem sentido". Nessas horas é que as amizades verdadeiras aparecem, afinal é nessas horas que mais precisamos delas. 

Sugiro que mantenhamos os contatos, mas sobretudo que construamos as verdadeiras amizades, mesmo que sejam poucas. Não esqueça que a verdadeira amizade é tesouro e tesouros estão cada vez mais raros.


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, especialista em educação especial e inclusiva e professor universitário em Goiânia-GO.

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