quarta-feira, 20 de julho de 2011

AMIZADE EM ALTA RESOLUÇÃO

É sabido por todos, que sem amigos não vivemos. Concordamos em dizer, que a amizade é essêncial para o desenvolvmento humano e é através da construção social que vamos nos formando como seres humanos. Acredito que não há quem discorde, que é nas amizades que vamos nos fortalecendo e nos tornando melhores sempre que temos a oportunidade. 

Cada um, possui em sua formação, a definição do que seja uma verdadeira amizade. Cada um, defende e procura ter do lado somente bons e verdadeiros amigos. Sem dúvidas, o modelo e a fórmula que acreditamos nessa amizade, é fruto de uma construção que todos os dias se completa de fatos, cores, formas, cheiros e sabores. Até os animais, já ganham título de grande amigo do homem.

Os poetas não deixam de tocá-la em suas canções, versos e poesias. A história impregina-se de grandes feitos e obras pautadas na amizade. As crianças, desde sua tenra idade, são ensinadas sobre a importância desse sentimento. Até dia em calendários, a amizade possui e é nesse dia que louvamos-a com muito mais fervor. 

Mas afinal, o que é amizade? Em dias onde cada vez mais, construímos muros e não pontes, sabemos ao certo o que é amizade verdadeira? Os conceitos com os quais definimos a palavra amizade e de fato o conceito ideal? Essas perguntas, possuem cada um ao seu modelo, uma resposta ímpar, pessoal e marcada de práticas e acontecimentos.

Seja do  grego ou do latim, amizade devira-se de amigo, amor, afeto ou afeição. Amizade na prática, deve ser amor, afeito, afeição. Os ingredientes de uma verdadeira amizade, concretizam-se em crescimento, lealdade, maturidade, alegrias, dores, verdades... Seja por sobrevivência, defesa, proteção, vaidade ou simplesmente fuga da solidão. 

Há amigos classificados como melhores; necssários; conselheiros; de baladas; da igreja; de estudos; de confidências; de assuntos profissionais; amigos que nunca fomos em sua casa e eles nunca foram na nossa; amigos de carona; amigos de redes sociais;  amigos de família; amigos por interesses; amigos que não significam muito; amigos que so aparecem quando precisa; amigos que nunca aparecem quando precisamos; amigos de viagem; amigos de academia; amigos da horas difícies; amigos de risos; amigos do perdão; amigos que ficaram na infância; amigos de nossa nudez e fraqueza, amigos, amigos...  Qual o seu nível de amizade?

Sem dúvida, a amizade é uma a relação mais comum entre os seres humanos. Solteiro, casado, viúvo, sozinho, solitário, doente... sempre haverá um amigo por perto, mesmo que seja você mesmo, o seu amigo.

A amizade a que me refiro é em alta resolução, mas nítida, mais verdadeira e sem distorções. Numa sociedade de solitários, torna-se vital, a construção de verdadeiras e sinceras amizades. Numa amizade em alta resolução, a qualidade é mais importante do que a quantidade. Em tempos onde coisificamos as pessoas, uma amizade verdadeira precisa dar de novo, o verdadeiro sentido do "Ser Amigo", ao invés de "Ter amigos".

Para que haja uma amizade da qual me refiro, é importante que pensemos em que tipo de amigo temos sido, ao invés de cobrar que tipo de amigo são conosco. É justo que repensemos que atitudes nos atestam como melhor amigo, do que perguntar quais comportamentos esperamos do "melhor amigo". Uma amizade verdadeira, sabe completar ao invés de pensar no pagamento. Se é amizade sincera, mostro a importância do "ir", ao invés de cobrar o "vir". Se é amizade em alta resolução, é melhor apontar a partilha e elaborar o crescimento, do que abafar a dor e fazer prosperar a ilusão.

A teoria é muito pouco. Amizade é prática. Que tipo de amigos somos nós?


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, especialista em educação especial e inclusiva e professor universitário em Goiânia-GO.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A GENTE SE ACOSTUMA...

Já notou como a gente se acostuma facilmente com hábitos e comportamentos? A rotina nos enfada de tal modo, que ela se torna familiar rápido demais e me pergunto como seria nossa vida se tudo que fazemos não estivsse acompanhada da velha e inevitável rotina. Nos apegamos fortemente ao mesmo itinerário, que não mais tê-lo, trata-se de um corte, uma cisão que geralmente dói muito.

A gente se acostuma a dormir tarde, acordar cedo com o mesmo toque no despertador, escovar os dentes quase sem ver, tomar um banho rápido e engolir um café manhã, quando não comemos no trânsito. Acostumamos aos engarrafamentos, aos sinais fechados, às fechadas dos veículos, a ouvir as mesmas músicas, nas mesmas rádios e ao som turbulento do dia a dia.

A gente se acostuma a comer sem tempo, ao mesmo restaurante, sentando na mesma mesa, escolhendo o mesmo cardápio e quando não tem o que já estamos acostumados, nos alimentamos mal. Acostumamos a esperar o outro, a ser complacente com o atraso, a atrasar em nossos compromissos e assim, acostumamos às 24h que passam voando sempre.

A gente se acostuma a engolir sapos, a não receber elogios, a não ser reconhecido, a esticar um pouco mais no trabalho, a fazer as mesmas tarefas e no surgimento de uma nova, sofremos e sofremos... Acostumamos com a mesa no mesmo lugar, o telefone barulhento, o ar condicionado muito frio, às mesmas pessoas sempre do mesmo jeito e com as cobranças sem fim.

Acostumamos a receber um "não", a levar foras, a beijar sem sentimento, a curtir as baladas com o mesmo som, a mesma luz, os mesmos rostos, as mesmas bebidas. Acostumamos a nos "divertir' mal e acostumamos a dizer que foi bom. A gente se acostuma a ficar, ficar... a fingir que ama, a fingir que tá gostando, a ficar sozinho, a conviver com a solidão disfarçada de "estou bem". A gente se acostuma com as pessoas, a não lhes prestar atenção, a nao dar e nem receber carinho.

Nos acostumamos a não dar bom dia, a não sorrir, a não nos comprometer com o outro, a não pensar coletivamente. Nos acostumamos com o medo nosso de cada dia, com a ingratidão comum e diária. Acostumamos a não agradecer por quase nada, a não ver as flores do caminho, nem as lacunas dos concretos. Acostumamos com a política, com a corrupção, com as traições e infortúnios.

Acostumamos a ir ao médico só na emergência, a planejar sonhos que quase sempre não se realizam, à garganta que não sara, a não tomar água o suficiente, aos calos nos pés, à barba por fazer. Uma pena que nos acostumemos com as dores sentimentais, com o dia a dia cinzento e nublado, com a insalubridade de algumas amizades, às dietas sem efeitos e sem fim, aos flanelinhas pedindo notas, às contas que vencem todo mês, aos natais insosos e familiares.

Acostumamos a chorar, só quando perdemos. A dizer eu te amo, quando quem deve ouvir não ouve mais. Acostumamos a dar buquês quando morrem ao nosso lado e acostumamos tanto à vida que nunca vemos a importância de uma pequena flor em vida. 

Acostumamos a acostumar. 


Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, especialista em educação especial e inclusiva e professor universitário em Goiânia-GO.

TRABALHANDO COM O MEDO INFANTIL

Senhores Pais, é natural e absolutamente normal que suas crianças pequenas sintam medo. Bem como, o nervosismo é um sentimento natura...