sexta-feira, 5 de outubro de 2012

DISTURBIO ALIMENTAR: ALIOTROFAGIA

Não raro, nos deparamos com síndromes e disturbios, comuns na sociedade contemporânea do século XXI. Algumas delas, está ligada à alimentação ou com o ato de se alimentar. A ela, damos o nome de Síndrome do Pêga ou como queira, Síndrome do Pica ou ainda, Aliotrofagia. Parece estranho, mas este nome, de origem latina, deriva-se do pássaro Pêga, que é um pombo faminto, que tamanha é sua voracidade, ele come tudo o que vê pla frente. Seu habitat é comum em países de clima tropical e/ou mais quente. 

Esse disturbio ou síndrome, gera no ser humano uma compulsão neurótica, fazendo-o, comer as substâncias mais complexas e não comestíveis e digeríveis. Por exemplo: giz, carvão, barro, pedra, colher, moeda, sabonete, tecido, cabelo, botões, excrementos, vômitos entre outros. Além é claro, do fator digestão, há ainda o fator social, uma vez que esse indivíduo exclui-se do convívio social, onde o seu alimento não é compartilhado por todos à mesa. Em alguns lugares do mundo, isso é comum, pois pode ser um fator ligado à tradição de um povo. Suas variações são muitas, subdividindo-se em tipos e quantidades de objetos ingeridos, podendo persistir, por mais de trinta dias.


Eu me ponho a pensar? O que andamos engolindo e que nem sempre conseguimos digerir? A que ponto, estamos doentes, frutos de um processo aliotrófago? Será se não estamos nos calcificando, fruto de uma obsessão por algo que insistimos, mas que não nos faz bem? É necessário nos alimentarmos bem, para que bem possamos viver, psicologicamente falando.


Eu penso, quantas amizades insistimos em manter e elas sempre nos fazem mal? É fato, que quase sempre há algumas amizades que não nos acrescentam nada. O tempo vai, o tempo vem, e não nos tornamos melhores com algumas companhias. Elas sempre são indigestas, nos dão mal estar, nos fazem sofrer muito, nos provocam dores e má digestão. Isso pode durar muito. E quanto "sapo" engolimos de graça, para ser aceito, para fazer parte, para não contrariar...  seja ele do superior, do par, do amigo, do inferior...


E os relacionamentos que não existem mais e continuamos a ingerí-los? Não existem mais em sentimentos, afetos, reciprocidades, sensações, respeitos... mas lá estamos nós a engolí-los dia após dia. Seja forçado pelo meio, pelas pessoas, pela necessidade, pela carência e pelo simples fato de "não consigo ficar só". Isso por certo nos faz muito mal. 

E as dores, incertezas, passados, medos, traumas que ingerimos diariamente e que quase sempre não fazemos digestão deles? Que tipo de alimentação estamos tendo para que termos boa saúde sentimental? Que tipo de providências estamos tomando, para engolir só aquilo que vai nos fazer bem? Por certo, as causas de certos sintomas que estamos sentindo, tem a ver com um comportamento doentio que temos, sem selecionarmos bem o que estamos comendo, sem ao certo saber, nem o que vamos digerir.

 Que tal, pensarmos nisso!?





 

Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, especialista em educação especial e inclusiva e professor universitário em Goiânia-GO.  

TRABALHANDO COM O MEDO INFANTIL

Senhores Pais, é natural e absolutamente normal que suas crianças pequenas sintam medo. Bem como, o nervosismo é um sentimento natura...