segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

PAÍS FULECO

Confesso que fiquei com vergonha, quando vi na mídia, que o nome do mascote da copa do mundo do Brasil, chama-se Fuleco. Pensei que tinha escutado mal, mas é isso mesmo: Fuleco. Minutos depois, fico sabendo, que essa escolha, foi decidida pelo povo, que escolheu o nome, entre mais opções, tão idiotas quanto este. A explicação para o nome, segundo a mídia, é que foi feita a junção de futebol com ecologia. Continuo com vergonha.

O resultado dessa escolha, ao meu ver, reflete dois fatos tristes, porém reais em nosso país. Primeiro, identifico o alto índice de ignorância do nosso povo. É notório o quanto a educação faz diferença na história de qualquer nação. Desconheço qualquer país, que tenha se desenvolvido e que não tenha a educação como principio de vida. A educação muda a história do povo. E logo, sendo este povo ignorante, torna-se fácil manipulá-lo. Torna-se alvo fácil para o pão e o circo.

O segundo ponto que vejo nessa escolha é que ele revela de fato uma realidade, uma triste realidade, posta a todos, sábios e tolos, ricos e pobres. De fato este é um país de fulecos. Acredito que quem votou (quem votou?), esqueceu de buscar o significado desta palavra, uma vez que ela não foi criada exclusivamente para a copa do mundo, como tenta dizer a mídia manipuladora. Mais uma vez, a ignorância vence.

Entre outros, a palavra fuleco é uma variação de fuleira, fuleragem entre outras variações. Esses termos são bem conhecidos no nordeste brasileiro e possui os seguintes significados: coisa ruim, de baixa qualidade, inferior, incapaz, duvidoso, tóba, rabo, anus, fiofó, rosca, roela, boga, cu, furreco, medíocre, descarado, fuleiro, ladrão, corrupto.... Nada mais natural para representar a nossa realidade. 

Nesse pais, a saúde é fuleca. Não há hospitais, vagas, ambulâncias, médicos, remédios, estrutura física, salários e por ai vai. Falta desde o garrote à maca. A educação também é fuleca. Não há escolas suficientes, o ensino é medíocre, o IDEB é falso, o MEC não funciona, as escolas são assaltadas todos os dias e as que sobram, não educam nem ensinam mais, os professores não são remunerados como deveriam e em sua maioria, a educação que existe, atende ao capital desenfreado no sistema fast food. A segurança não é diferente: também é fuleca. Não temos sistema penitenciário que resolva, não há vagas, há policiais de menos e bandidos de mais, a corrupção impera, as condições de trabalho são desumanas e o povo, em sua maioria, que é fuleca, paga o preço.

E o que dizer da política desse país? Como lidar com ela, onde a maioria absoluta é de fulecos, preocupados apenas com seu próprio interesse! Honestidade virou raridade e encontrar algum homem honesto que integre a política desse pais, torna-se uma atividade quase impossível. E a cultura? Em sua maioria é fuleca também. Ouvimos o que não presta, cantamos o que não sabemos o que é, e qualquer batida, torna-se primeiro lugar nas paradas de sucesso. Não há incentivo a leitura nem ao pensamento crítico, criativo, e assim, vamos sendo frutos de programas enlatados e manipuladores.

Mas é exatamente disso, que se faz um país de fulecos. É exatamente, essa massa que tem a capacidade de votar e eleger como mascote para uma copa do mundo - com um orçamento que não é fuleco - um tatu que tem por nome sua própria identidade. Cérebros de tatus! Assim se cria fulecos: pouca educação e muito futebol; muito circo e muito pão. E são esses, que farão de tudo, para pagar o ingresso do jogo, para poder ver a obra, fruto de sua ignorância e ainda poder dizer: tenho orgulho de ser brasileiro!

Me ponho a pensar e pergunto, do que se faz uma nação, não de fulecos, mais de cidadãos que criem seu próprio futuro, que pensem na sua formação educacional e que querem deixar para seus filhos, muito mais do que estádios e renda cidadão. Pergunto, como pode um pais, crescer e se desenvolver, com fulecos, desde os que votam até os que são eleitos. 



Paulo Veras é psicólogo clínico e organizacional, psicanalista, especialista em educação especial e inclusiva, especialista em docência do ensino superior e professor universitário em Goiânia-GO. 

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